
A minha viagem ao México foi atípica…
Começou pelo planeamento! Na véspera pensava que ia para a Gâmbia… Até receber uma chamada com a informação que não haveria lugares disponíveis no vôo. As férias eram no dia seguinte e a minha pergunta foi, como se estivesse a escolher o pequeno almoço e me tivessem dito que os pastéis de nata tinham acabado : “Hummm… Então o que tem para aí, com saída amanhã?”
Não seria, de longe, a minha primeira escolha. E muito menos em regime de tudo incluído, como acabaram por ser as minhas férias na Riviera Maya. Um destino típico de casais com alianças ainda resplandecentes!! Esta escolha acabou por ser motivo de chacota no meu grupo de amigos… como se de uma assumpção gay se tratasse. Sim, eu e o meu melhor amigo, com quem viajo, fomos para um destino romântico!
Os que se retratam nessa chacota de que fui alvo… pensem nas férias em casal… já pensaram? Agora pensem na mesma coisa, mas em versão “BOM”! Ora vejam algumas das vantagens :
– Carrego apenas a minha mala, sem me preocupar se o gajo está muito carregado… ele que se arranje!!
– Posso ir o vôo todo de phones a ouvir música ou ver filmes, sem que ele me diga : “Dá-me atenção!!!” ou “Estás ausente!!” ou mesmo “Querias mesmo ter vindo de férias??”
– Se ainda assim, ele me chatear, posso mandá-lo para um sítio qualquer… e 5 minutos depois já está tudo bem.
– Posso estar na praia e observar seres do sexo feminino descontraidamente… e mais, o meu “par” alerta-me (mesmo que esteja a dormir) para certas ocorrências : “Macedo, olha ali aquele espécime a sair da água!!!” – claro que isto não aconteceu… porque no México a população feminina é, essencialmente, Norte-Americana… e acho que não é preciso dizer mais.
– Não é obrigatório fazer amizades com outros casais, com quem temos que partilhar refeições e excursões ao parque temático da moda.
– etc.
Bem, o regime de TI teve piada no primeiro dia. Não sei como é que há pessoas que conseguem estar confinadas a um resort, mesmas caras, mesma praia, mesmo TUDO, durante uma semana, ou mais!!! É preciso uma viagem transatlântica para isso?
No nosso caso, bastou um dia para termos que alugar um carro e ir desbravar mato! Alugámos um Chevy (versão equivalente ao Opel Corsa). O senhor bem se orgulhava de dizer que seria “El primer alquiler!!!!“, era novinho em folha!!!!
Estrada fora, em direcção a Punta Allen, não durou muito a sermos parados pela Polícia, para cumprir a tradição! Não há viagem que faça onde não haja multas ou incidentes com a Polícia! O alquiler era tão primer que os documentos do carro ainda nem estavam válidos. Carro parado na berma da estrada à espera de resolução… uma longa espera. Lá chegou o senhor da locadora e resolveu (ou pagou para resolver) o problema.
Esperavam-nos cerca de 100 kms, sendo que 50 deles eram apenas para Jipes! Mas eu acho que se enganaram a dar as indicações… e o que queriam mesmo dizer era : “Apenas para Chevys!”
Muito sofreu aquele veículo!!! Fizemos metade do caminho, com uma breve paragem numa praia deserta (do outro mundo!), debaixo de um sol forte… e cansados daquela estrada! E como se de um oásis se tratasse, vimos uma placa, a apontar para um desvio : “COLD BEERS”. Não é preciso muito para perceber o que aconteceu…
Assim começa o nosso caso de amor com o XAMACHDOS (www.xamachdos.com). Onde fomos recebidos de braços abertos pela Michelle, que tem uma vida difícil!!! Mudou-se de Washington para aquele paraíso, onde toma conta do negócio do pai! Farta-se de trabalhar… para o bronze!!.

O dia que era para ir até Punta Allen, foi trocado por uma pequena praia, com um acolhedor bar, rodeado de cabanas… regado a muita cerveja, com chicken wings a acompanhar. Além disso, uma agradável conversa com Michelle! Que ficou doida com a presença de dois seres portadores de tanta classe! Na realidade, acho que ela estava tão isolada, que a classe já não era um factor de selecção.
Foi uma tarde simples, num cenário brutal… a melhor memória que tenho do México. E na realidade, foi TUDO o e que não estava INCLUÍDO.
As viagens não são aquilo que alguém planeia para nós! Mesmo aquilo que nós próprios planeamos, não pode ser estanque. Para regras, já chegam os 11 meses de trabalho.
Hugo Macedo
Brilho nos olhos, coração de kevlar, à janela do avião, pesadelos no bolso. Orgulhosamente, a viajar em contramão.
Um dia, vou trocar a sala sem janelas, por um hotel com milhares de estrelas.
Latest posts by Hugo Macedo (see all)
- road trip - January 19, 2016
- Memórias - June 17, 2014
- É Relativo! - April 16, 2014
“Say cheese!” – Escolher a melhor câmara para viajar Next Post:
Bora, Malta!
