A minha ida a São Tomé não foi algo, há muito, desejado. Acabou por fruto do acaso e surgiu sem grandes planos e sem grandes expectativas, também.
Um dia, uma pessoa de quem gosto muito, mostrou-me a seguinte equação :
FELICIDADE= REALIDADE – EXPECTATIVAS
Talvez tenha sido a sua aplicação involuntária que me fez gostar muito de São Tomé!
Os São-Tomenses são exímios a oferecer um “Turismo Naïve” – conceito inventado por mim (estou muito orgulhoso!). Pelo potencial que o país tem e forma artesanal / não comercial com que abordam a questão. O que, para mim, torna tudo especial e confortavelmente descontraído. Como dizia uma senhora, “Esta ilha dá-nos tudo o que nós precisamos – comida, água – somos felizes assim. O turismo é uma oportunidade a explorar, mas não queremos que seja de massas e, com isso, perder a nossa génese”.
Do Jeep alugado que “…é um carro que tem Matemática!!”, na descrição feita pelo «Contente», porque fechava os vidros automaticamente…
Das duas ou três pessoas com quem falei ou me cruzei e respondiam “Intermédio!!”, com um sorriso de orelha-a-orelha, quando lhes perguntava se estava tudo bem 😀 😀 Também havia outra versão, a resposta : “É relativo!”. Priceless!!!!!
Ou o «Gordo», que ao agarrar num objecto e perguntarmos o que era, responde : “É manteiga pá! Não sabes o que é manteiga?!”. Vive sozinho numa cabana, no meio do nada e salvou-nos, vendendo-nos uns pães com chouriço e a tal, manteiga. Íamos fazer uma caminhada e nenhum sítio para almoçar, num raio considerável!
A Professora vaidosa que pede uma fotografia com os seus alunos : “Vá!! Tira Tira! Para o meu Pai lá de Portugal ver como estou importante! Sim!! Ele mora em Loures!”
E o pescador, sentado no seu barco, à beira-mar a fazer tempo para ir para a faina? Esse sabia, em detalhe, informações sobre cada ponto da ilha e a correspondente meteorologia … Mais tarde, viemos a perceber que, se calhar, ele nunca tinha ido, sequer, aos locais dos quais falava com tantas certezas, já que nada correspondia ao que nos tinha dito. Aliás, a resposta à pergunta que lhe fiz, relativamente ao número de filhos que tinha, fala por si : “Média de 10!!”
São Tomé é mesmo, “ver para crer”! Se me perguntarem se gostei, respondo como os locais dizem quando está tudo fantástico : “É relativo!”
Hugo Macedo
Brilho nos olhos, coração de kevlar, à janela do avião, pesadelos no bolso. Orgulhosamente, a viajar em contramão.
Um dia, vou trocar a sala sem janelas, por um hotel com milhares de estrelas.
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