Ora bem, há sítios onde ninguém vai de férias. O que não quer dizer que sejam sítios péssimos, mas é como se não fossem “para férias”. Quer pela dificuldade em arranjar vistos, quer pela fama, quer por mil e uma outras razões.
A Nigéria é um desses sítios.
(“Ihhh, Nigéria”, já estão a pensar…)
Pois, mas lá está. Eu também pensei isso na primeira vez que lá estive. Durante um mês estive fechada no meu condomínio. Na piscina (não que isso seja mau de todo. Mas um mês??! NOT!). Saía para ir a reuniões and “that was it”. Um mês inteiro. Sem amigos. Sem novas vistas. Tudo péssimo (vá, exagero um pouco, mas é para haver mais sentimento na história). Havia mil festas privadas em Penthouses (ainda fui a uma ou outra) onde só se bebia de Moet Chandon para cima, havia por lá muita coca (e não era a cola) e as miúdas brancas eram vistas como diamantes. A única coisa engraçada numa dessas festas (além de ter comido um hummus como nunca comi em mais lado nenhum) foi ter conhecido o P-Square. Mas ainda assim, zero de interesse.
Um dia, já em Portugal, disseram-me que tinha que voltar. Ia morrendo.
Pois que dessa vez não podia ter sido melhor. Os nigerianos são das pessoas com mais força que conheço. Determinadas. Pessoas muito muito simpáticas (principalmente fora de Lagos).
E como um sítio é (em grande parte) feito por quem lá vive, a Nigéria ganhou um novo ar para mim.
Conheci um rei, na verdade, fui obrigada a dançar para um rei (nem queria acreditar). Fui levada para a esquadra por um polícia que queria claramente algum dinheiro e portanto decidiu inventar que eu não podia tirar fotografias. Saí da esquadra sem ter pago nada. Fui a praias terríveis, mas que me pareceram maravilhosas. Os expatriados eram (são) do melhor que há e alinhavam sempre em tudo. Visitei uma cidade flutuante. Fui a um sítio que é património mundial da UNESCO e que me fez lembrar Gaudí. Fui quase pedida em casamento (mas como não estava “available”, ele pediu-me só contactos de amigas).
Enfim, muito para ver (que mais um mês e meio não chegou). E ficaram vários amigos.
Se a Nigéria não era um bom sítio para ir de férias…passou a ser!


Maria Pereira dos Santos
Ir sem norte e sem mapa (sou péssima com mapas de qualquer forma). Ir sem bilhetes marcados e normalmente sem um "tuste". Provar de tudo (mesmo sendo a pessoa "mais esquisita do mundo") e aproveitar ao máximo.
Viajo muito, uns dizem. Talvez. Mas ainda assim, estou sempre a pensar na próxima vez.
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