Há quem diga que sempre acabamos por chegar ao sítio onde nos esperam, que o que vale realmente a pena se encontra, muitas vezes, no lado oposto do nosso périplo planetário.
Acho que é a mesma sensação de ouvir grasnar gaivotas depois de um Inverno rigoroso, uma espécie de “fé recompensada” – ainda que momentânea.
Quanto mais viajamos, quanto mais pessoas e culturas conhecemos, a tendência de pensar que as pessoas interessantes estão sempre de passagem na nossa vida acaba por se revelar.
Fruto do desalento e revolta, e porque ainda não existem máquinas de viajar no tempo, “inventámos” este sentimento agridoce a que gostamos de chamar “saudade”. Esta palavra é tão nossa, como o desejo que em nós permanece de guardar o que nos transmite o que cada um que connosco se cruza – seja durante meses, parte de um dia… Ou apenas algumas horas até o avião decolar.
Se me perguntarem quantas vezes me apaixonei em viagem, não saberei responder – o que é verdadeiramente genuíno está presente em cada momento em que os olhos de alguém se enchem de luz para falar daquilo que ama, vê-se na inocência das crianças, está presente na paixão que nutrimos pela paixão das pessoas, na forma como isso nos torna “maiores” e, por consequência, mais humanos.
Hei-de ser velhinha, ter artroses, um jardim a cheirar a jasmim e hei-de abusar do pão com brie… Mas se há coisas que considero certas na minha vida, esta é uma delas – nunca vou deixar desvanecer o desejo de “correr o mundo” e de chegar onde adjectivos passam e (dentro de nós) os substantivos ficam.
Luciana Coelho
Apaixonada por palavras e fotografia; autora de um blog que defende o amor em estado puro e não em letras artisticamente estiladas...
Picada pelo vírus da itinerância - a sua melhor viagem será sempre a próxima.
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