Em analogia com as casas em tijolo, podia dizer que a Bolívia é um país “em construção”, mas a realidade é que nós próprios estamos (ainda) nessa condição. A cada passo encontramos novos exemplos de vida que tornam a jornada mais doce e menos penosa, tornamo-nos dependentes de uma nova sensação de leveza e é com ela que aprendemos a relativizar os problemas, distanciando-nos das sensações comuns e dos pensamentos que entretêm o quotidiano dos demais. Imaginem como seria ajudar os sete biliões de pessoas neste planeta e trocar conhecimentos com cada uma delas, o quão ricos seríamos?! Logo, não me cabe a mim dizer que a Bolívia é um país “pobre”, porque é rico em tanta coisa… (Oh, I wish my eyes could take photos!)
Dizem que temos uma “zona de conforto” preciosa, mas não sei se esse é o nome ideal para algo do qual estamos (na realidade) constantemente a tentar escapar. “Confortável” deve ser aquilo que nos aquece o coração, ainda que nos ponha à prova… E liberdade não é sinónimo de caos, antes pelo contrário, a liberdade acarreta mais responsabilidade, tanta que ninguém precisa interferir. Digamos que as prioridades que definimos, bem como a importância que atribuímos às coisas, residem no grau de decifração da vida e para onde ela aponta. Neste caso, assim como as casas, prontas a aquirir sempre mais um piso, a direcção só pode ser o céu. Pois se demos um passo tão grande ao conquistar o Espaço, não nos esqueçamos do nosso próprio…
Luciana Coelho
Apaixonada por palavras e fotografia; autora de um blog que defende o amor em estado puro e não em letras artisticamente estiladas...
Picada pelo vírus da itinerância - a sua melhor viagem será sempre a próxima.
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