Quem me conhece sabe que apesar de adorar viajar e querer conhecer o melhor que cada sítio me oferece, tento sempre fugir às coisas demasiado turísticas. Quem anda a fazer backpacking até se costuma descrever como viajante, mas não turista. Claro que não vou a Paris sem ver a torre Eiffel, mas não é o principal, não é o que me faz adorar a cidade nem vivê-la, senti-la. E pronto, muito resumidamente é isto: quero mais do que landmarks, quero experiências, quero viver cada lugar e conhecer cada pessoa que cruza o caminho comigo.
Ainda assim, já fiz muita coisa turística. Como fotografar o Chiclito, um llama que posa para fotos nas ruas de Santiago do Chile.
Santiago é uma cidade lindíssima. A minha etapa anterior (na minha viagem a solo pela América do sul) tinha sido a Patagónia e não me apetecia enfiar-me em museus; então decidi percorrer a cidade à minha maneira. Caminhei para todo o lado, raramente recorrendo ao mapa que levava no bolso bem à mão. Numa das ruas, lá estava o Chiclito. Eu sei que corro o risco de me chamarem maluca, mas juro que o Chiclito me sorriu! E apesar de raramente alinhar nestas coisas tão irritantemente turísticas (foi só porque ele sorriu, juro!), dei uma moedinha para lhe tirar umas fotos (ele jurou-me que não ia usar o dinheiro para se meter nas drogas).
Quando dei o dinheiro ao rapaz jovem que estava a acompanhá-lo, ele pegou na minha máquina e ajudou-me a sentar nas costas do meu recente amigo. Não estava à espera! Tadinho do Chiclito… “Os meus quase-cinquenta-quilos não o vão magoar? Vou tentar não respirar para ver se peso menos…” – pensei. O rapaz pegou na câmara e claro que não é nada fácil – tenho de explicar que tem de olhar pelo buraquinho, pois esta câmara não é como as outras que mostra o que se vê no ecrã (uma SLR ainda por cima sem live view)…
Só que o Chiclito gostou tanto de mim que decidiu que iríamos fugir juntos e ser felizes happily ever after. Aproveitando que lhe largaram as rédeas, quis usar o momento de ouro para tentar a sua sorte. E lá vamos nós, a cavalgar pelas ruas de Santiago (não propriamente como um cavalo, que o Chiclito além de lhe faltar a graciosidade de um garanhão lusitano, é mais parecido com um camelo, mas versão anão – em que eu quase tocava no chão, lembrando que quase que podia conduzir o Chiclito como o carro dos Flinstones). E lá veio o rapaz a correr atrás de nós, com a minha máquina numa mão e a tentar agarrar o Chiclito e a sua sede de liberdade com a outra. E eu saltei fora e segui a minha viagem, sozinha.
Ficaram estas fotos para a memória. O dia em que o Chiclito me tentou raptar. E, infelizmente para ele, falhou.
…
(Deviamos era ter tirado um selfie!)
Rita
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