Myanmar: um país de gentileza sobre-humana

by • February 4, 2014 • Ásia, Birmânia / Myanmar, Destinos, Histórias de viagemComments Off on Myanmar: um país de gentileza sobre-humana1874

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“É a cor verdadeira do teu cabelo?” – perguntou-me uma rapariga birmanesa à entrada de um templo em Bagan.
“É sim.”
“Parece ouro. Tens cabelo de ouro! – diz-me, radiante. “Quando quiseres ouro só tens de cortar um bocadinho”.

Olho à volta e percebo o fascínio pelo ouro, comum a muitas outras culturas em vários pontos do mundo: Bagan está pintalgado com mais de dois mil tempos, muito deles com um toque de dourado. A planície repleta de tempos, a perder de vista, tornam Bagan um dos locais do mundo mais maravilhosos para se observar um pôr-do-sol. Ficou no topo da minha lista.

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Ao chegar a Inle Lake decidi fazer mais uma hora de caminho para ir ao festival de Taunggyi, um festival anual de lançamento de balões de ar quente: uns grandiosos com diferentes formas e simbologias, outros de simplesmente uma vela. O ritual é símbolo de esperança budista para a purificação do pecado humano, em que os balões desaparecem no céu numa noite quente no estado de Shan, Myanmar, onde se juntam largos milhares de pessoas. Acho que nunca vi tanta gente junta, qual Rock in Rio Lisboa ou até o metro de São Paulo. Mas em tanta gente, o espanto foi não ver sequer uma pessoa de outro país, excepto os amigos portugueses que me acompanharam e uma rapariga inglesa que partilhou taxi connosco.

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Constantemente fui parada para me tirarem uma foto, para me dizerem “Hello!”  (e como ficavam eles felizes com o “Hello!” que lhes dava de volta!) ou uma outra palavra que tinham ouvido em filmes (“Yeah man!”). Os sorrisos eram constantes, sinceros. As pessoas estavam animadas, festivas, ao contrário do que se encontra normalmente em Myanmar, um país onde muito se trabalha e pouco se festeja. Aqui era a excepção, toda a gente se divertia. Muitos jogos, fogo de artifício, carroceis gigantes que se faziam rodar “à mão”, ovos fritos, sticky rice e espetadas de comidas indecifráveis. E eu senti-me uma das estrelas da noite, juntamente com os balões que voavam pelos ares. Onde passava era cumprimentada. Onde parava para uma cerveja, reunia multidão à volta a contemplar. Para onde sorria, tinha cinco ou seis sorrisos de volta.

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Mas não foi só em Taunggyi que me senti especial. Yangon é uma cidade fantástica onde na rua nos fazem questão de dirigir uns quantos “Hello” e “Wish you happiness” e o que mais souberem dizer em inglês. Senão é a vez de um sorriso, um sorriso sincero. “Ronaldo!” é a palavra de ordem quando se refere “Portugal” e muitas crianças vestem orgulhosamente t-shirts (por mais largas que lhes estejam) de clubes de futebol europeus. Numa tasquinha, uma senhora que comia com a amiga na mesinha (o diminuitivo aqui é essencial, cadeiras e mesas pequenas assim só costumo cá ver nos infantários) ao lado da nossa dá-me um papel com algo escrito para pôr na carteira “É para dar sorte!”, diz entre sorrisos, “Pões ao pé do dinheiro, assim (demonstra), e um dia vais ter muito dinheiro!” Até hoje não vi melhorias, mas o sorriso e simpatia da senhora ficaram-me gravados na memória. Aliás, Myanmar ficou-me gravado na memória; um país de de uma gentileza incrível, de uma amabilidade sobre-humana, de uma simpatia sincera, genuína, surreal. E de tanta beleza natural e cultural… É de ir e chorar por mais.

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Rita

Travel Writer & Creative at Where in the World is Rita?
Autora do blog inglês Where in the World is Rita? a Rita sempre gostou de viagens. Mas foi em 2011, quando se despediu do seu trabalho como directora de arte numa agência de publicidade para se aventurar a solo pela América do Sul que nunca mais conseguiu parar. Desde então partilha histórias em inglês no seu blog, e agora aqui, no Pelo Mundo Fora com início em 2014 que criou para juntar mais viajantes, partilhar aventuras e escrever na sua própria língua.
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