Até agora, a viagem da minha vida foi ao Quénia e Tanzânia. Foram pouco mais de 20 dias a percorrer os dois países de camião e a acampar, numa intimidade única com a Mãe Natureza.
Entre Masai Mara e Seregeti, acampámos à beira de uma estrada… As tendas foram montadas já sem luz… não deu para perceber, exactamente, onde estávamos. Lembro-me de ir ao WC ecológico e o meu acto de libertação fisiológica ser iluminado por dezenas de pirilampos! Foi muito bonito e senti-me importante, perante tal gesto divino!!! Confesso que nunca tinha visto tantos pirilampos… Tal cenário épico, fez-me negligenciar o meu próprio “pirilampo”, já que estava distraído com todos os outros. Resultado : as minhas calças e ténis falavam por si!
O que vale é que de férias, sabe bem é estar porco! Quando não estou a viajar e a rotina do dia-a-dia de trabalho me está a deixar deprimido, deixo de tomar banho uns dias e fico logo a sentir-me melhor!
De qualquer forma, aquele local estava destinado a ficar-me na memória, não pela sua particular beleza, mas pela especialidade dos momentos ali vividos. E um deles, foi ter urinado as calças!!
Depois de uma noite MUITO bem dormida…
(Em África,acho que sei o que é dormir, realmente, bem, até porque a minha vizinha de cima não me acompanha)
É obrigatório acordar antes do nascer do sol… A aurora numa savana é qualquer coisa de único! E esta primou pela companhia! Durante a noite, um grupo de operários que arranjavam as estradas, acampou ao lado das nossas tendas.
Quando meti a cabeça de fora da tenda, deparei-me com este cenário :
Foi inevitável diálogo! Que se fez num misto de inglês e linguagem gestual. Eram uns seis, todos eles mega-sorridentes, e partilhámos o pequeno almoço e o nascer do sol.
Ficámos ali a falar sobre as nossas origens, clubes de futebol, os nossos nomes – o meu nome, Hugo, é sempre motivo de chacota geral 😀
O choque cultural é das coisas que mais me fascina. Em África, a curiosidade, timidez, humildade são impagáveis!
Hugo Macedo
Brilho nos olhos, coração de kevlar, à janela do avião, pesadelos no bolso. Orgulhosamente, a viajar em contramão.
Um dia, vou trocar a sala sem janelas, por um hotel com milhares de estrelas.
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